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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O populismo na América Latina

Vitor A. Schütz

A América Latina, no começo do século XX, tinha economia basicamente agrícola, com uma elite oligárquica e sistemas políticos autocráticos. Com o iminente crescimento capitalista, como cita Capelato, “a sociedade capitalista ‘moderna’, apresentada como modelo a ser seguido pelas sociedades ‘tradicionais”. (2001), aliado ao crescimento urbano, influiu num desgaste das classes mais favorecidas, emergindo os precursores do populismo na América Latina.

Os populistas buscavam o apoio dos setores trabalhistas, apoiavam as elites que estavam no poder, além de uma classe média emergente, limitando as promessas reformistas. Esses “primeiros populistas” denominavam-se populistas tempranos.

Os “populistas clássicos” apareceram durante os anos 30 e 40. Traziam as massas urbanas idéias socialistas, mobilizando-se a favor dos trabalhadores, do nacionalismo, do direito ao voto e contra o fascismo e o imperialismo.
Já nos anos 50 e 60, apareceram importantes figuras populistas na América Latina, dentre elas Vargas, Quadros, Brizola e Goulart no Brasil, Ibanes no Chile, Ibarra no Equador. O plano de substituição de importações, fez com que eles enfrentassem graves problemas econômicos, principalmente no processo de industrialização, onde houve uma certa “freada”, agravando a inflação.

Houve ainda os chamados “populistas tardios” (Perón, na Argentina e Echeverria, no México). Enfrentaram um pluralismo social, juntamente com conflitos de modernização das economias.

Assim, podemos ver o populismo na América Latina com um dos principais fenômenos históricos e políticos. Abrangendo desde mobilizações de massas, partidos políticos, regimes, formas de governo, reformismo entre outros.

Nos países da América Latina, o populismo teve como uma de suas características a aceleração da industrialização e da urbanização, juntamente com uma modernização e ampliação da economia. Assim, o país acabava por se “blindar” contra as crises das exportações de seus produtos; crise que afetava todos as exportações dos países latino-americanos, produtos tais como carne, café, açúcar e demais.

O populismo, nos países latino-americanos, contribuiu também na aceleração da formação do Estado Nacional. A união das classes embutiu nelas um sentimento, uma consciência de pertencimento a um Estado. Houve ainda a regulamentação das relações trabalhistas, onde os trabalhadores acabaram adquirindo mais direitos. Houve ainda um crescimento da população urbana e um fortalecimento da burguesia industrial. No plano político, o populismo enfrentou fortes críticas.

Porém, o populismo teve seu “lado negativo”. Na América Latina, verifica-se que na maioria das vezes o populismo era de certa forma demasiado autoritário, movendo as massas conforme seus interesses e assim burocratizando o Estado. Gastos excessivos com propagandas políticas, manipulação dos sindicatos, intervenção econômica em cada país e distribuição de renda.

REFERÊNCIAS

GOMES, Ângela de Castro. O populismo e as ciências sociais no Brasil: notas sobre a trajetória de um conceito. In: FERREIRA, Jorge (org). O populismo e sua história: debate e crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. 380p.

CAPELATO, Maria Helena Rolim. Populismo latino-americano em discussão. In: FERREIRA, Jorge (org). O populismo e sua história: debate e crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. 380p.

MACKINNOM, Maria Moira; PETRONE, Mario Alberto. Populismo y neopopulismo en America Latina: el problema de la Cenicienta. Buenos Aires: EUDEBA, 1999. 433p.

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