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quinta-feira, 30 de junho de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Aristóteles - O mundo da experiência, as quatro causas, ética e política.
OBS: O Texto da aula encontra-se no link.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Platão e a Teoria das Ideias
O pensamento platônico apresenta uma aspecto fundamental conhecido como sua teoria das ideias. A partir dessa “teoria”, Platão tenta explicar o desenvolvimento do conhecimento humano por meio de uma passagem do mundo das ilusões, para o mundo das ideias.
Nossos sentidos são carregados de emoções e impressões que são a base sobre a qual formulamos os conceitos sobre as coisas. Essa forma de saber vem da percepção que temos sobre o mundo, através de nossa vivência e de forma metódica.
Contudo, só se adquire o conhecimento verdadeiro quando abandonamos o conhecimento sensorial e adentramos dentro da racionalidade da sabedoria, ou seja, no mundo das ideias. Nesse mundo habitam o seres dotados de perfeição, verdade, beleza e justiça. Necessitando, entretanto, para inserir-se nesse mundo, de um esforço racional, filosófico e científico.
O berço da opinião é a percepção da diversidade e aparência de tudo o que nos cerca. A realidade é repleta de seres imperfeitos e incompletos, que tentam, em vão, transformarem-se em formas perfeitas. Para Platão a alma é imortal, pois quando o homem tende a aprender, na verdade está somente relembrando o conhecimento retido em sua própria alma.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Os Sofistas
Os primeiros filósofos focaram na compreensão racional dos fenômenos da natureza. Após isso a filosofia começou a voltar-se para o próprio homem e para as questões da sociedade.
Os sofistas se instalaram em Atenas com o intuito de “vender” o conhecimento aos alunos interessados em obtê-lo. Os estudantes aprendiam eloquência, oratória, raciocínio lógico e técnica de argumentação. Esse caráter prático do conhecimento servia tanto para a vida pública, tanto para a solução dos problemas dos jovens disciplulos.
Os sofistas não acreditavam numa verdade absoluta, devido a variedade das opiniões, sendo tudo relativo à cada indivíduo, cultura ou sociedade, assim mostrando uma flexibilidade entre homem e sociedade.
Platão apresentava críticas em relação à forma como os sofistas “negociavam” e faziam uso do conhecimento. Acusava-os de persuadirem as pessoas, iludindo-as com raciocínios duvidosos, não demonstrando qualquer preocupação ou compromisso com a verdade.
segunda-feira, 15 de março de 2010
A alegoria da caverna - República, VII (514a-517d)
GLAUCO: Entendo.
SÓCRATES: Então, ao longo desse pequeno muro, imagina homens que carregam todo tipo de objetos fabricados, ultrapassando a altura do muro, estátuas de homens, figuras de animais, de pedra, madeira ou qualquer outro material.
Provavelmente, entre os carregadores que desfilam ao longo do muro, alguns falam, outros se calam.
GLAUCO: Estranha descrição e estranhos prisioneiros!
SÓCRATES:: Eles são semelhantes a nós. Primeiro, pensas que, na situação deles, eles tenham visto algo mais do que as sombras de si mesmos e dos vizinhos, que o fogo projeta na parede da caverna à sua frente?
GLAUCO: Como isso seria possível, se durante toda a vida eles estão condenados a ficar com a cabeça imóvel?
SÓCRATES: Não acontece o mesmo com os objetos que desfilam?
GLAUCO: É claro.
SÓCRATES: Então, se eles pudessem conversar, não achas que, nomeando as sombras que vêem, pensariam nomear seres reais?
GLAUCO: Evidentemente.
SÓCRATES: E se, além disso, houvesse um eco vindo da parede diante deles, quando um dos que passam ao longo do pequeno muro falasse, não achas que eles tomariam essa voz pela da sombra que desfila à sua frente?
GLAUCO: Sim, por Zeus.
SÓCRATES: Assim sendo, os homens que estão nessas condições não poderiam considerar nada como verdadeiro, a não ser as sombras dos objetos fabricados.
GLAUCO: Não poderia ser de outra forma.
SÓCRATES: Vê agora o que aconteceria se eles fossem libertados de suas corrente e curados de sua desrazão. Tudo não aconteceria naturalmente como vou dizer Se um desses homens fosse solto, forçado subitamente a levantar-se, a virar cabeça, a andar, a olhar para o lado da luz, todos esses movimentos o faria sofrer; ele ficaria ofuscado e não poderia distinguir os objetos, dos quais via apenas as sombras, anteriormente. Na tua opinião, o que ele poderia responder se lhe dissessem que, antes, ele só via coisas sem consistência, que agora ele está mais perto da realidade, voltado para objetos mais reais, e que ele está vendo melhor? O que ele responderia se lhe designassem cada um dos objetos que desfilam, obrigando-o, com perguntas, a dizer o que são? Não pensas que ele ficaria embaraçado e que as sombras que ele via antes lhe pareceriam mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?
GLAUCO: Certamente, elas lhe pareceriam mais verdadeiras.
SÓCRATES: E se o forçassem a olhar para a própria luz, não pensas que os olhos lhe doeriam, que ele viraria as costas e voltaria para as coisas que pode olhar e que as consideraria verdadeiramente mais nítidas do que as coisas que lhe mostram?
GLAUCO: Sem dúvida alguma.
SÓCRATES: E se o tirassem de lá à força, se o fizessem subir o íngreme caminho montanhoso, se não o largassem até arrastá-lo para a luz do Sol, ele não sofreria e se irritaria ao ser assim empurrado para fora? E, chegando à luz, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, não seria capaz de ver nenhum desses objetos, que nós afirmamos agora serem verdadeiros.
GLAUCO: Ele não poderá vê-los, pelo menos nos primeiros momentos.
SÓCRATES: É preciso que ele se habitue, para que possa ver as coisas do alto. Primeiro, ele distinguirá mais facilmente as sombras, depois, as imagens dos homens e dos outros objetos refletidas na água, depois os próprios objetos. Em segundo lugar, durante a noite, ele poderá contemplar as constelações e o próprio céu, e voltar o olhar para a luz dos astros e da Lua, mais facilmente que durante o dia para o Sol e para a luz do Sol.
GLAUCO: Sem dúvida.
SÓCRATES: Finalmente, ele poderá contemplar o Sol, não o seu reflexo nas águas ou em outra superfície lisa, mas o próprio Sol, no lugar do Sol, o Sol tal como ele é.
GLAUCO: Certamente.
SÓCRATES: Depois disso, ele poderá raciocinar a respeito do Sol, concluir que é ele que produz as estações e os anos, que ele governa tudo no mundo visível, e que ele é, de algum modo, a causa de tudo o que ele e seus companheiros viam na caverna.
GLAUCO: É indubitável que ele chegará a essa conclusão.
SÓCRATES: Nesse momento, se ele se lembrar de sua primeira morada, da ciência que ali se possuía e de seus antigos companheiros, não achas que ele ficaria feliz com a mudança e teria pena deles?
GLAUCO: Claro que sim.
SÓCRATES: Quanto às honras e aos louvores que eles se atribuíam mutuamente outrora, quanto às recompensas concedidas àquele que fosse dotado de uma visão mais aguda para discernir a passagem das sombras na parede e de uma memória mais fiel para se lembrar com exatidão daquelas que precedem certas outras ou que lhes sucedem, as que vêm juntas, e que, por isso mesmo, era o mais hábil para conjecturar a que viria depois, achas que nosso homem teria inveja dele, que as honras e a confiança assim adquiridas entre os companheiros lhe dariam inveja? Ele não pensaria, antes, como o herói de Homem, que mais vale “viver como escravo de um lavrador” e suportar qualquer provação do que voltar à visão ilusória da caverna e viver como se vive lá?
GLAUCO: Concordo contigo. Ele aceitaria qualquer provação para não viver como se vive lá.
SÓCRATES: Reflete ainda nisto: supõe que esse homem volte à caverna e retome o seu antigo lugar. Desta vez, não seria pelas trevas que ele teria os olhos ofuscados, ao vir diretamente do Sol?
GLAUCO: Naturalmente.
SÓCRATES: E se ele tivesse que emitir de novo um juízo sobre as sombras e entrar em competição com os prisioneiros que continuaram acorrentados, enquanto sua vista ainda está confusa, quando seus olhos não se recompuseram, enquanto lhe deram um tempo curto demais para acostumar-se com a escuridão, ele não ficaria ridículo? Os prisioneiros não diriam que, depois de ter ido até o alto, voltou com a vista perdida, que não vale mesmo a pena subir até lá? E se alguém tentasse retirar os seus laços, fazê-los subir, acreditas que, se pudessem agarrá-lo e executá-lo, não o matariam?
GLAUCO: Sem dúvida alguma, eles o matariam.
SÓCRATES: E agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar exatamente essa alegoria ao que dissemos anteriormente. Devemos assimilar o mundo que apreendemos pela vista à estada na prisão, a luz do fogo que ilumina a caverna à ação do Sol. Quanto à subida e à contemplação do que há no alto, considera que se trata da esperança, já que desejas conhecê-la. Deus sabe se há alguma possibilidade de que ela seja fundada sobre a verdade. Em todo o caso, eis o que me aparece, tal como me aparece; nos últimos limites do mundo inteligível, aparece-me a idéia do Bem, que se percebe com dificuldade, mas que não se pode ver sem concluir que ela é a causa de tudo o que há de reto e de belo. No mundo visível, ela gera a luz e o senhor da luz, no mundo inteligível ela própria é a soberana que dispensa a verdade e a inteligência. Acrescento que é preciso vê-la se sequer comportar-se com sabedoria, seja na vida privada, seja na vida pública.
GLAUCO: Tanto quanto sou capaz de compreender-te, concordo contigo.
(In Abel Jeannière. Platão. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1995.)
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Fábula da águia e da galinha
Certa vez, um camponês encontrou no campo um filhote de águia bastante enfraquecido, tomou em suas mãos, levou-o para casa, e apos tê-lo recuperado, o colocou para viver junto com as galinhas em seu terreiro. Ali cresceu.
Um dia, passando por ali um sábio, ao ver a ave, indagou:
- Esta aí junto com as galinhas é uma águia, não é?
- Era, - disse o camponês. Mas ela virou galinha. Nunca voou e também não voará porque virou galinha!
- Mas ela tem dentro de si a capacidade de voar, disse o sábio.
- Não voará - retrucou o camponês, - ela virou galinha!
- Vamos então fazer aprova.
Tomaram a águia nos braços e foram para o alto de um penhasco para tirar a dúvida. O sábio tomou a ave, mostrou-lhe a direção do sol e a lançou para o alto.
De inicio a águia começou a cair como se fosse arrebentar-se no desfiladeiro, mas aos poucos começou a mover as asas e a equilibrar-se um tanto desajeitada, e começou a subir como se quisesse beijar o sol.
Disse então o sábio: Uma águia jamais poderá ser transformada em galinha. Mesmo que permaneça no chão por muito tempo, ela manterá dentro de si o poder de voar, basta apenas que descubra e desperte para isso”.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Em Nome de Deus
O filme “Em nome de Deus” gira em torno da história de Abelardo e Heloise. Ele um filósofo e um dos mais famosos professores de Paris. Ela uma jovem recém saída de um convento, sobrinha de um comerciante de “relíquias sagradas”.
Durante o filme, ambos lutam por um amor que aos olhos de Heloíse parece uma dádiva de um Deus bondoso e amoroso, contudo na visão de Abelardo, esse sentimento vem carregado de culpa e pecado, pois fere sua condição de homem casto e devotado unicamente ao dom de ensinar. É importante ressaltar que Abelardo, diferentemente da visão de Heloíse, vê a Deus como juiz e inflexível.
Contudo há todo um contexto que se desenvolve alheio ao enlace amoroso dos protagonistas. Há a disputa de dois modos de conhecimento, os dialéticos e os antidialéticos. Os dialéticos, ante um questionamento, seguem até a profundidade da questão, acreditando no problema e questionando as descobertas com o conhecimento que já possuem. Os antidialéticos procuram e acreditam na verdade útil. A verdade que complementa e fundamenta seus conhecimentos, fazendo com que não precisem aprofundar-se nas questões que permeiam seu cotidiano, assim conservam seus limites. Abelardo transita entre essas duas linhas, onde em determinados momentos apresenta-se dialético, procurando aprofundar-se em questões filosóficas, porém, quando as questões relacionam-se como seu romance, aparece seu lado antidialético, não questionando a verdade útil, sua condição de casto e sua missão como filósofo.
A mulher nessa época é representada pela figura de Heloise. A mulher deveria ser submissa, subserviente. A educação, quando recebida, deveria ser dentro das instalações de um convento (ou em casos especiais com um tutor), e muitas vezes, era um conhecimento antidialético, onde os questionamentos ficavam a parte de sua realidade. A mulher era tratada como propriedade, tendo seu futuro e escolhas negociadas pelo seu responsável, como o enlace matrimonial, a educação e sua vocação. A mulher não tinha escolha, as escolhas já estavam pré-definidas, também não podiam mostrar sua inteligência, nem questionar os problemas filosóficos, pois essa área era exclusiva dos cátedros, todos homens.
A relação entre ensino e aprendizagem fica bem clara quando das aulas na universidade e mesmo na pousada onde os estudantes moravam. Contrariando os costumes, Abelardo permanecia morando por um tempo com seus alunos, ali conduzindo debates e questões diversas. Além disso, o mestre aparecia como um instigador e um condutor dos pensamentos e discussões dos aprendizes. Assim, no universo masculino, o método de conhecimento tendia mais (mas não sempre) ao dialético. Entretanto, dentro dos conventos, no universo da educação feminina, estas deveriam aceitar o que lhes era dito, sem questionar. Esse método se aproxima com a antidialética, onde a verdade útil é inquestionável. As mulheres que teimavam em abrir horizontes eram advertidas e até punidas.
A Filosofia e o Direito
A partir da Idade Média, a Filosofia assumiu papel importante no desenvolvimento e estudo do Direito, o Direito Romano. Não só mudanças de pensamento, mas mudanças socioeconômicas e culturais, através do surgimento das escolas, predecessoras das Universidades. Nesse momento, a retomada do estudo do Direito Romano, transformou a formação jurídica européia.
Em meados do século XII, um monge chamado Graciano, elaborou o “Decreto”, que após a promulgação pontifícia, passou a constituir o Código do Direito Canônico. Essa ação dava ao homem medieval dois códigos de leis, um destinado ao convívio em sociedade e outro tratava de estabelecer regras e condutas perante a Igreja e a Deus. Isso forçou uma dualidade de pensamentos, pois agora se devia preocupar-se em seguir as leis dos homens e as leis da Igreja.
A partir do século XII, a obra aristotélica veio dar sua contribuição ao Direito Romano, com as traduções de textos para o latim, como a “Política”, reforçando no Ocidente a ciência da política. Um dos pensadores que se evidenciou no pensamento do Direito, foi Tomás de Aquino. Este introduziu a dualidade de pensamento e relacionamento dos homens, pois deviam cuidar da relação com os homens e com a relação com Deus. Assim, Tomás dizia que existiam dois fins para a vida, a fim no indivíduo, que era a cidade e o fim da pessoa, que era a vida eterna. Assim, como cidadão, o indivíduo existe para a cidade; contudo, enquanto chamado à vida eterna, a cidade existe para o homem.
A Filosofia mostra-se presente no Direito, tornando-o, de certa forma, “mais humano” e mais flexível. Novas visões de relações entre homens foram evidenciadas a partir das idéias de filósofos, pensadores e teólogos. Essas mudanças de concepções possibilitaram as mudanças de pensamentos, a reflexão sobre conceitos e a luta por mudanças (Reforma). Novos paradigmas foram inseridos no Direito, através de pensadores como Tomás de Aquino, Boécio, Marsílio. A importância da Filosofia para o Direito está no ato de se pensar sobre esse, nas dualidades entre fé e razão, na relação entre homens e entre a religião. Assim sendo, a Filosofia aflorou o lado mais humano do Direito, sendo esse Canônico ou Romano.