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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC

Vitor A. Schütz

Em abril de 1948, o povo saiu às ruas em protesto, levantando as bandeiras da luta contra a ditadura e pela reforma agrária, associado à revolta pelo assassinato do líder liberal Jorge Eliécer Gaitán. A maioria dos grupos via-se influenciada pelo Partido Comunista Colombiano e pelas forças militares insurgentes do Partido Liberal. Essa manifestação veio a ser conhecida como “el bogotazo”, e se credita a ele o surgimento das primeiras guerrilhas colombianas.
Desencadeou-se uma nova onda de violência que provocou cerca de 200 mil mortes, período conhecido como “La Violencia”, que só teve uma trégua quando o partido Liberal e o Conservador acertaram um acordo, a Declaração de Sitges. Para evitar a retomada da violência, assinaram um acordo em que a presidência de República seria alternada entre os partidos, aplicando-o também nas demais instâncias do poder, ministérios e departamentos. Assim houve a desmoralização do voto popular.
Em 27 de maio de 1964 ocorreu o que veria a ser o mito da criação da FARC. No início da década de 60, alguns grupos guerrilheiros proclamaram independentes os territórios colombianos que controlavam. Para os Estados Unidos, ter territórios comunistas dentro da Colômbia durante a guerra fria era perigoso, pois esses movimentos podiam incitar outras regiões na América Latina a fazer o mesmo. A guerrilha da Marquetalia era formada por camponeses com problemas como o de escassez de comida. Estavam reunidos com o propósito de autodefesa e não com o foco separatista, como a propaganda governamental queria que o país acreditasse. O ataque do exército colombiano, com auxílio dos Estados Unidos, a essa região criou motivos para o grupo continuar sua luta contra o governo autoritário e assim criando o mito da fundação da FARC. O ataque fez com que o grupo se tornasse uma guerrilha móvel, formando a Frente Sur ou Bloque Sur, constituído pelos grupos de Marquetalia, Rio Chiquito, El Pato, Guayabero e 26 de Setiembro, entre outros. Duas conferencias, em 1965 e 1966 define o grupo como Força Armada Revolucionária da Colômbia, e que sua primeira bandeira seria a reforma agrária.
Cisões no Partido Comunista no final dos anos 60, começo dos 70, causou certa instabilidade no grupo. O Partido Comunista dividia-se no apoio às FARC ou ao ELP (Ejárcito de Liberación Popular), além da perda de figuras importantes como o padre Camilo Torres em 1966 e Che Guevara em 1967. Em 1973, dissidentes das FARC e da Alianza Nacional Popular (ANAPO) criaram o Movimento 19 de Abril (M-19), apoiado na classe média urbana e de postura mais radical. Em 1978 ocorre uma conferência da guerrilha, onde se estabelece um estatuto de disciplina para os guerrilheiros, a descentralização do comando, dando mais autonomia às frentes, concretizando um verdadeiro exército revolucionário.
As ações repressivas do governo se intensificam com a eleição de Júlio César Turbay Ayala (1978-82), esse acusado de fraude eleitoral e ajuda do narcotráfico.
Durante os anos 80, fica evidente a consolidação e amadurecimento das FARC como grupo revolucionário, assumindo uma postura mais agressiva. Ataques às áreas controladas pelo exército e a busca pela conscientização do povo, através da sensibilização com as causas do grupo e em busca de um maior apoio à causa. Assim, em 1982, declarou-se “Exército do Povo”, buscando a formação de um exército revolucionário.
O presidente Belisário Betancourt (1982-1986), tentou estabelecer uma trégua com o grupo, possibilitando a participação de grupos insurgentes nas eleições. Com o apoio do Partido Comunista, as FRAC-EP, fundou a Unión Patriótica, vindo a eleger vários representantes. Porém esse cessar-fogo não foi respeitado pelo exército, fazendo com que grupos como o ELN e o M-19 voltassem à luta. As FARC-EP voltaram à luta logo depois, impulsionada pelo assassinato de vários membros da Unión Patriótica por grupos paramilitares.
O ataque de grupos paramilitares aos grupos guerrilheiros durante a trégua forçou os grupos guerrilheiros a criarem a Coordenadoria Guerrilheira Simon Bolívar (CGSB), centralizando assim suas ações e articulando um plano de derrubada dos tradicionais partidos que se alternavam no poder.
Durante esse período cresce a importância do Resistência, periódico criado pelas FARC-EP, na busca de conscientização do povo em relação à situação do país, mostrando as guerrilhas como defensoras do povo, buscando a construção de um exército consciente social e politicamente.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O populismo na América Latina

Vitor A. Schütz

A América Latina, no começo do século XX, tinha economia basicamente agrícola, com uma elite oligárquica e sistemas políticos autocráticos. Com o iminente crescimento capitalista, como cita Capelato, “a sociedade capitalista ‘moderna’, apresentada como modelo a ser seguido pelas sociedades ‘tradicionais”. (2001), aliado ao crescimento urbano, influiu num desgaste das classes mais favorecidas, emergindo os precursores do populismo na América Latina.

Os populistas buscavam o apoio dos setores trabalhistas, apoiavam as elites que estavam no poder, além de uma classe média emergente, limitando as promessas reformistas. Esses “primeiros populistas” denominavam-se populistas tempranos.

Os “populistas clássicos” apareceram durante os anos 30 e 40. Traziam as massas urbanas idéias socialistas, mobilizando-se a favor dos trabalhadores, do nacionalismo, do direito ao voto e contra o fascismo e o imperialismo.
Já nos anos 50 e 60, apareceram importantes figuras populistas na América Latina, dentre elas Vargas, Quadros, Brizola e Goulart no Brasil, Ibanes no Chile, Ibarra no Equador. O plano de substituição de importações, fez com que eles enfrentassem graves problemas econômicos, principalmente no processo de industrialização, onde houve uma certa “freada”, agravando a inflação.

Houve ainda os chamados “populistas tardios” (Perón, na Argentina e Echeverria, no México). Enfrentaram um pluralismo social, juntamente com conflitos de modernização das economias.

Assim, podemos ver o populismo na América Latina com um dos principais fenômenos históricos e políticos. Abrangendo desde mobilizações de massas, partidos políticos, regimes, formas de governo, reformismo entre outros.

Nos países da América Latina, o populismo teve como uma de suas características a aceleração da industrialização e da urbanização, juntamente com uma modernização e ampliação da economia. Assim, o país acabava por se “blindar” contra as crises das exportações de seus produtos; crise que afetava todos as exportações dos países latino-americanos, produtos tais como carne, café, açúcar e demais.

O populismo, nos países latino-americanos, contribuiu também na aceleração da formação do Estado Nacional. A união das classes embutiu nelas um sentimento, uma consciência de pertencimento a um Estado. Houve ainda a regulamentação das relações trabalhistas, onde os trabalhadores acabaram adquirindo mais direitos. Houve ainda um crescimento da população urbana e um fortalecimento da burguesia industrial. No plano político, o populismo enfrentou fortes críticas.

Porém, o populismo teve seu “lado negativo”. Na América Latina, verifica-se que na maioria das vezes o populismo era de certa forma demasiado autoritário, movendo as massas conforme seus interesses e assim burocratizando o Estado. Gastos excessivos com propagandas políticas, manipulação dos sindicatos, intervenção econômica em cada país e distribuição de renda.

REFERÊNCIAS

GOMES, Ângela de Castro. O populismo e as ciências sociais no Brasil: notas sobre a trajetória de um conceito. In: FERREIRA, Jorge (org). O populismo e sua história: debate e crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. 380p.

CAPELATO, Maria Helena Rolim. Populismo latino-americano em discussão. In: FERREIRA, Jorge (org). O populismo e sua história: debate e crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. 380p.

MACKINNOM, Maria Moira; PETRONE, Mario Alberto. Populismo y neopopulismo en America Latina: el problema de la Cenicienta. Buenos Aires: EUDEBA, 1999. 433p.